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mercredi, avril 18, 2007

"não sou eu que programo recordar ou não os momentos em que passei tão bem acompanhado desses amores que eu tenho.
a mim são anjos, que enviam mensagens naquela fração de segundo. aquele segundo em que a outra parte ou está pensando em ti, ou precisando de uma ajuda, seja meia hora sentado no sofá escutando-a desabafar. a esse mesmo anjo, sempre destinarei a missão de acalmar seu coração, sempre que não houver como."








la rousse qu' enchante...

estou sempre sendo despertado por interesses exploradores. quando me disseram que eu era um vampiro, pois sugava o que a mim era interessante nos outros, eu me senti ofendido. mas deixe de abocanhar qualquer pescoço por aí quem pode me dizer que jamais o fez. hoje percebo que tanto pode ser um elogio quanto uma ofensa, e a mim fora um elogio.
quando vi aqueles alargadores enormes e aquele cabelo curto e ruivo, e aqueles traços nipônicos iniciei uma conversa. com o tempo em que nos falávamos, apenas pela internet, os encantamentos iam aumentando, ora pela independência daquela menina ruiva de apenas dezesseis anos que morava sozinha numa capital e vivia sozinha naquela casa com dois pavimentos e ora pelo temperamento un peu difficile que sempre demonstrara carregar consigo. se me consideram vampiro, saibam agora que sou vítima de meus próprios caninos afiados... uma vez abocanho, sempre quero abocanhar e abro minha guarda para também ser abocanhado. foi assim, muitas brigas foram e vieram e aprendemos juntos a respeitar mais o espaço do outro, mesmo se tratando de um espaço resumido a uma tela de computador com internet conectada. para nós não era assim que se configurava, era muito mais. seja pelas borboletas que chegavam até ela, seja pelos dentes-de-leão que eram lançados pelo vento até... ou então seja pelas músicas que eu via, pelas modelos belas e magras que praticamente ela cultuava, seja por aquele grupo de rock em que predominava o branco, o preto e o vermelho [a cor de seu cabelo cacheadinho].
trocamos fotos de quando pequenos, dividimos experiências.
então, o tempo veio também. os problemas, sempre estiveram alí.. eles nos dava bom dia até mesmo nas manhãs mais belas. meses se passam e num dia qualquer, em que havia pensado ler um livro até almoçar e ir pra aula a encontro nesses mesmos mares que nos atraíram e por diversas vezes nos dispersaram. mais outros quatro ou cinco meses podem seguir a frente. talvez exista dor, sim. quando somos escravos de um quotidiano também programamos nossa mente para não receber qualquer inforamação que nos faça sofrer. mas elas estão aí. não sou eu que programo adentrar o supermercado de um shopping e me deparar com o ovo de páscoa da 'boneca moranguinho'. a mim são anjos, que enviam mensagens naquela fração de segundo. aquele segundo em que a outra parte ou está pensando em ti, ou precisando de uma ajuda, seja meia hora sentado no sofá escutando-a desabafar. a esse mesmo anjo, sempre destinarei a missão de acalmar seu coração, sempre que não houver como.
mon petit fraise...








ma petite chou-fleur

minha pequena couve-flor, que vi sentada na carteira de um cursinho apenas de disciplinas exatas, que provávelmente nos preparia para o ingresso numa universidade pública, era acanhada quase nunca falava, sempre ouvia aquela morena louca que falava por ela e só se referia ao namoro, sempre. me atiçei para me aproximar, mas mantive minha atenção naquele professor confuso de física mecânica, que hora e meia nos pedia pra esquecer de tudo o que ele havia fincado naquele quadro verde [nunca fora negro, não aquele] com um resto de giz branco. mas não somos assim. não é assim que se esquece das vezes em que fincam dentro da gente marcas que não são possíveis desconsiderar. e foi assim. prestei apenas um único teste de vestibular e ingressei, em minha própria cidade, num curso que havia descoberto do dia pra noite e que eu achava o máximo pensar que eu poderia controlar a ventilação, iluminação e acústica de um determinado local. logo no trote dos bixos identifiquei aquela que eu sempre admirei do fundo da minha carteira no cursinho, aquela que sempre ouvia... sempre ouvia...ela sempre estava ouvindo e eu me perguntava 'será que ela não tem nada pra falar ?'.
numa primeira aproximação, avancei o sinal e logo veio a advertência! eu não sabia onde estava pisando e definitivamente descobri que ela não falava simplesmente por não ter o que falar, mas sim porque sabia falar, no momento adequado de abrir a boca. esmureci. mas não desisti e a comunicação e as aproximações foram convergindo, até que estávamos numa sala de desenho trocando papéis e papéis-tipo-arroz em que conversávamos durante uma aula de um professor picareta insuportável. namorara então um menino do grupo, e ela, apesar da 'distância' que diminuia, sempre a mim fora uma incógnita. a incógnita mais exata que já tive. insistimos um ao outro e então eis que decide parar com o curso, que para ela se configurava como uma tortura. mais um ano se passava entre encontros e desencontros, pois ela estudava para um futuro teste. desta vez não eram disciplinas apenas exatas e o curso, bem melhor que aquele em que eu sempre a via tomando sorvete no intervalo nesta cidade de temperaturas catastróficas.
e fomos subindo os degraus, até que fora embora pra capital e voltava vez ou outra, datas comemorativas, feriados... mas a comunicação não cessara. estávamos sempre reforçando esse laço, essa ponte. até que ela se firmou e então o que sinto hoje é uma não-necessidade de nos falarmos para termos a sensação de que a comunicação existiu. agora, por exemplo, sinto que ela recebera minhas sensações e eu também recebo as sensações de lá. algumas notícias ou outras, não importam. é como se tivéssemos atingido um nível de comunicação. amigos de silêncio, amigos de noites dormidas e de cigarros acesos queimando sozinhos seja de melancolia ou de alegria. de cervejas e fasts-foods. tudo pode ser fast-food menos o que temos um para o outro. e só. levaremo-nos sempre um ao outro. para todo canto.








un demeure d'un ciel

nos conhecemos por um fio de segundo, por um risco de microsegundo.
e um olhar foi suficiente.
e então, passamos do estado da contemplação para um estado mais profundo do reconhecimento de coisas em comum ao estado mais delicado de coisas não tão comuns assim. uma hora e meia a cada dois dias da semana de puro reconhecimento e estranhamento. estranhávamo-nos pela fácil irritabilidade dela em contraste com minha sempre paciência intercalada por minutos de explosão. não nos fálavamos durante uns minutos e depois voltávamos ao estado inicial da conquista como se nada tivesse acontecido. e nada havia acontecido. era uma ligação profunda, uma comunicação silenciosa, uma troca abundante.
os meses foram chegando, a necessidade também. então ela parou o curso e eu continuei. nela a vontade de continuar e de falar aquela língua, que entre nós era um ponto de reconhecimento. e a necessidade de trabalhar, pra planos futuros [agora individuais] se configurava como um ponto de estranhamento. afinal, aquilo pra mim sim, era inadmissível naquele momento. embora não entendido, entre mim, aceito. o que restou foi a esperança certa [aquela que levamos dentro de nós, lá dentro] de que nos veríamos novamente, com mais tempo, e que dividiríamo-nos por inteiro.
tempo, tempo, tempo tempo tempo tempo.
depois de um tempo, eis que nos encontramos e a aquela ponto que nos ligava entre reconhecimentos e estranhamentos estava alí, intocada, erguida sobre os pilares feitos não sei de quê. mas alí estava soberana. aquela ponte que nos dois atravessamos.
embora não tivéssemos atingido o ponto que desejamos tanto em tempos pretéritos [não tão pretéritos assim] nos aceitamos novamente. agora, outras coisas nos impediam. não era mais a voz da professora que explicava os tempos verbais, as preposições, adjetivos, advérbios em francês, mas o dia-dia. o quotidiano individual nos impedia.
entretanto, outros fios de comunicação estavam estabelecidos, seja numa entrevista de turismo à França ou músicas francesas que nos ligavam num só desejo: morarmos juntos no exterior.
o tempo vai passar novamente, mas aqui dentro o que pulsa é a concretização de um fato já concretizado para mim e para ela. o que temos pra nós é que nos livraremos das amarras e sairemos desta caverna por mais cegos que nos sentirmos quando visualizarmos o exterior.já o visualizamos... não inteiramente em sua complexidade, mas a realidade sempre nos mostra a face. não fugimos disso, enfretamos e enfrentaremos. então, o que digo é: "à bientôt".








Um homem que tem uma de suas sinas determinada: ser confundido com mulher...
Blog criado para suportar meus vômitos em noites mal-dormidas, minha auto-sabotagem engraçadinha e meus fluxos de pensamento.
Sem a auto-negação, eu quero deixar fluir os posts, sem obrigatoriedades pré-definidas... e tentar superar os vazios que me invadem quando simplesmente não consigo digitar o que me aflige.


eles e elas.

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