mercredi, avril 18, 2007
un demeure d'un ciel
nos conhecemos por um fio de segundo, por um risco de microsegundo.
e um olhar foi suficiente.
e então, passamos do estado da contemplação para um estado mais profundo do reconhecimento de coisas em comum ao estado mais delicado de coisas não tão comuns assim. uma hora e meia a cada dois dias da semana de puro reconhecimento e estranhamento. estranhávamo-nos pela fácil irritabilidade dela em contraste com minha sempre paciência intercalada por minutos de explosão. não nos fálavamos durante uns minutos e depois voltávamos ao estado inicial da conquista como se nada tivesse acontecido. e nada havia acontecido. era uma ligação profunda, uma comunicação silenciosa, uma troca abundante.
os meses foram chegando, a necessidade também. então ela parou o curso e eu continuei. nela a vontade de continuar e de falar aquela língua, que entre nós era um ponto de reconhecimento. e a necessidade de trabalhar, pra planos futuros [agora individuais] se configurava como um ponto de estranhamento. afinal, aquilo pra mim sim, era inadmissível naquele momento. embora não entendido, entre mim, aceito. o que restou foi a esperança certa [aquela que levamos dentro de nós, lá dentro] de que nos veríamos novamente, com mais tempo, e que dividiríamo-nos por inteiro.
tempo, tempo, tempo tempo tempo tempo.
depois de um tempo, eis que nos encontramos e a aquela ponto que nos ligava entre reconhecimentos e estranhamentos estava alí, intocada, erguida sobre os pilares feitos não sei de quê. mas alí estava soberana. aquela ponte que nos dois atravessamos.
embora não tivéssemos atingido o ponto que desejamos tanto em tempos pretéritos [não tão pretéritos assim] nos aceitamos novamente. agora, outras coisas nos impediam. não era mais a voz da professora que explicava os tempos verbais, as preposições, adjetivos, advérbios em francês, mas o dia-dia. o quotidiano individual nos impedia.
entretanto, outros fios de comunicação estavam estabelecidos, seja numa entrevista de turismo à França ou músicas francesas que nos ligavam num só desejo: morarmos juntos no exterior.
o tempo vai passar novamente, mas aqui dentro o que pulsa é a concretização de um fato já concretizado para mim e para ela. o que temos pra nós é que nos livraremos das amarras e sairemos desta caverna por mais cegos que nos sentirmos quando visualizarmos o exterior.já o visualizamos... não inteiramente em sua complexidade, mas a realidade sempre nos mostra a face. não fugimos disso, enfretamos e enfrentaremos. então, o que digo é: "à bientôt".